Pinóquio não aprendeu a ler. E você, aprendeu?

Lembra da história do Pinóquio, né? O menino de madeira que sonhava em ser um menino de verdade. Pra isso, ele foi à escola. Através da educação, Pinóquio buscou a sua “humanização”. Mas sabia que, no fim, ele não aprendeu a ler?

Mesmo aprendendo a decodificar o alfabeto, Pinóquio não “digere” o que lê: só assimila as palavras. Ou seja, ele não se transformou num leitor. Captou a diferença? Pinóquio identifica as letras e seus sons, não entendendo o significado delas por inteiro.

Mas a culpa não é do Pinóquio, não. Ele tinha força de vontade e era motivo de piadas entre os colegas por ser tão aplicado. Qual foi o problema, então?

Na sociedade de Carlo Collodi, autor da história do Pinóquio, a escola tinha como responsabilidade “treinar” os indivíduos pra saberem se portar em sociedade. Não só isso, o ato de ler não era considerado uma necessidade básica (!). O governo não trazia incentivos à população quanto à educação. As necessidades básicas, como alimentação e moradia, sempre estiveram à frente.

Imagem: Michael Sporn Animation/Reprodução

Essa questão de prioridades tá bem retratada na história através dos outros personagens. O Pinóquio, como comentado acima, era motivo de chacota entre os colegas. Durante a sua jornada, ele também sofreu com as distrações de lazer que apareciam. O livro, por exemplo, é mostrado como um objeto descartável. Assim como o conhecimento, né?

Toda essa história é comentada por Alberto Manguel, autor do livro “À mesa com o chapeleiro maluco”. Pra ele, “aprender a ler” é obter meios pra se apropriar dum texto e participar da apropriação de outros. Resumindo: não é só ler e decorar o que tá escrito no papel. É interagir com o conhecimento ali exposto e fazer a sua própria contribuição.

O século XXI não se difere tanto da época do Pinóquio. Aliás, somos todos Pinóquios no período do vestibular, que só queremos a aprovação. Até na internet, quando as pessoas não se informam e saem despejando inverdades.

Ser um cidadão, como Pinóquio queria, é construir o nosso saber e fazer trocas com o mundo. É limitador se construir como indivíduo a partir de regras prontas. Mas temos que evoluir muito, ainda.

 

E você, aprendeu a ler?

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