O lixo nosso de cada dia: como dar vida útil às roupas?

Saiu uma reportagem na ELLE Brasil sobre a nova coleção da Stella McCartney. As fotos da campanha foram tiradas numa reciclagem de lixo, trazendo a ideia de desperdício, de sustentabilidade e o ciclo das roupas.

Imagem: Harley Weir/Divulgação

Roupa, quando jogada fora, é um lixo que não se decompõe. Super Capitão Óbvio, mas tem gente que joga roupa no lixo e acha que lá no lixão elas vão virar um lindo vestido com as forças místicas das fadas da moda. Não, elas apodrecem no lixo, fim. Existem pessoas que pegam essas roupas descartadas e as transformam, mas é um pingo de gente pra toneladas de peças.

Imagem: Harley Weir/Divulgação

No post sobre o app Moda Livre falei que não é sobre parar de comprar, mas saber o que se compra. E acrescento: não é viver de brechó, ou de roupas feitas de sei lá, garrafa pet. Ser sustentável na moda é comprar aquilo que você vai usar e usar o que você já tem, e ponto.

 

Nós questionamos as condutas das marcas. E a nossa própria conduta no meio disso tudo?

 

Todo mês você compra uma peça de roupa?

Mão na consciência: você faz compras todo mês? De entrar na loja e comprar uma blusinha porque ~ah tá só R$49,90 e não tenho essa cor~? Retomando o post do Moda Livre, nunca tivemos tantas opções de lojas como agora. Antes tínhamos marcas locais, e sempre umas cinco pessoas apareciam nos lugares com a mesma roupa que você. E ainda continuamos achando pessoas com a mesma roupa, que o preço é muito baixo e a quantidade dessa peça vem à granel. Parece que ficou mais fácil consumir moda, mas já estamos nos afogando com isso. Estamos deslumbrados e nos descontrolamos. Se você não sabe por onde começar a contribuir com um ambiente de moda mais justo, faz o exercício de passar um mês sem ir ao shopping e vai aumentando o tempo ao se acostumar. Aproveita pra respirar o ar dos parques, ao invés de ar condicionado.

Você nunca sabe o que vestir, mesmo com o guarda-roupa abarrotado de peças?

Então você perdeu um pouco do controle nas compras. Quanto mais a gente compra, menos a gente sabe o que usar no dia a dia. Das 78 blusas, você usa as mesmas 8 pra ir na faculdade/no trabalho. Pra quê mais? Eu já fui de comprar tudo que minimamente gostava, e usava duas vezes no ano. Agora a minha filosofia é: tô me rasgando pra ter essa roupa. Se eu só gostei dela, não vale o dinheiro. É paixão platônica, vai passar.

Se você já tá num tsunami de roupas, pega uma peça de cada vez, olha bem pra cara dela e se pergunta: essa roupa me veste bem? Rola usar ela em várias situações, tipo ir trabalhar e emendar com aula? Ela combina com pelo menos três partes de baixo que já tenho? Ela não vai se desmanchar e virar pó quando eu pôr pra lavar?

O que não passar pelo vestibular do guarda-roupa, você pode (e deve) doar ou vender em brechós. Só não fica guardando porque ~ah foi presente~ ou ~ah foi mais de R$100~, que daí é só lixo ocupando espaço na sua vida.

Você compra roupa que vira pijama em dois meses de uso?

Já é de conhecimento geral que as roupas de fast fashion têm uma qualidade que não dá pra exigir muito. Sério mesmo que vale os R$39,90 que você gasta em blusa pra ela ser usada três vezes e virar pijama? Não, né. Vamos abrir a mão e consumir peças de tecidos mais nobres. Os R$170 reais de uma camiseta vão ser bem aproveitados se ela vai durar dois ou três anos.

Você acha roupas de brechó meio ~blé~?

Brechó se tornou uma grande concorrente das fast fashion, pois você compra pelo mesmo preço peças de marcas com qualidade. Mas é super comum encontrar gente que não curte comprar de segunda mão, e tá ok, não vamos catequizar ninguém.

Se brechó é muito ~radical~, comece a pesquisar marcas brasileiras que você sabe que produzem aqui e que os materiais usados são de qualidade. Eu, por exemplo, vivo de camisetas com estampas de personagens, então pesquiso por sites de designers que trabalham com isso. Eu pago mais por um produto nacional e contribuo com o trabalho desse pessoal que confecciona estampas exclusivas.

 

Você não precisa virar um bicho-grilo pra consumir moda consciente. Pequenas atitudes no seu estilo de vida já é menos lixo produzido no mundo.

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