Moda Livre: monitore pelo celular a conduta das marcas que você consome

O Moda Livre é um aplicativo que foi desenvolvido pra nos ajudar a fazer escolhas mais conscientes. Com ele, podemos monitorar a cadeia produtiva duma marca de moda, e ter poder de decisão. É um direito nosso de saber o que estamos financiando, como também não ter mais omissão nos casos de trabalho escravo no setor da moda.

Somos bombardeadas com imagens e tendências. O mercado – cada vez mais acelerado – nos incentiva a consumir cada vez mais. Mas você já parou para pensar sobre quem faz suas roupas? Ficamos desnorteados com tantas opções de marcas com preços acessíveis. Aliás, você já se pegou pensando na quantidade de lojas fast fashion que apareceram por aqui nos últimos anos? Que antes só fazendo a viagem de 15 anos pra Disney para comprar nesses lugares (admita que você comprou aquele moletom horroroso da GAP na cor marrom)?

E não foi só a entrada de fast fashion no Brasil que a bolha de consumo explodiu, mas muitas marcas que já existiam no mercado abraçaram esse conceito de “moda acessível”. Nunca ficou tão fácil consumir informação de moda. Agora podemos ter aquela bomber que a blogueira usou na foto do Instagram. Adoramos, mas até onde é justo? A grande maioria dessas marcas (pra não exagerar dizendo todas, mas nós sabemos que sim, todas) importa de fabricantes que pagam o preço de dois pirulitos para os trabalhadores, barateando a fabricação e superfaturando em cima do preço que chega ao consumidor final. A blusa de R$79,90 custou US$9 para a marca, como também custou US$2 para o fabricante. Ou seja, menos da metade do nosso dinheiro chega à pessoa que fabricou a peça.

Aplicativo avalia responsabilidade trabalhista de grandes lojas em toda sua cadeia produtiva. Foto: Divulgação.

Agora que temos acesso a essas informações passamos a ser mais criteriosos nas nossas escolhas. Muitos pararam de comprar em fast fashion, outros só estão consumindo menos. É um processo, não tem como simplesmente parar de comprar roupa, até porque é um mercado onde as pessoas vendem e nós compramos.

Para facilitar a vida de quem procura adotar uma vida de consumidor consciente, foi criado um app para sabermos o quão “limpo” é o nome da marca na sua cadeia de produção. Eles recebem notas através de suas respostas no questionário desenvolvido para avaliação. Tudo isso foi criado pela ONG Repórter Brasil, que trabalha na defesa dos direitos humanos.

Se a empresa tem mecanismos de acompanhamento da cadeia produtiva e não tem histórico de uso de mão de obra escrava,  é sinalizada em verde. Se ela monitora seus fornecedores, mas de forma insuficiente ou se já foi condenada, é sinalizada em amarelo. Mas se a marca não controla as condições laborais das fábricas, já foi autuada por trabalho escravo ou se negou a responder o questionário, é sinalizada em vermelho.

Grandes marcas do varejo, como 775, Colcci, Centauro, Demillus, Forum, Gregory, M.Officer e Triton estão com o sinal vermelho. Ou seja, são muito mal avaliadas. Ao clicar em uma das 77 empresas disponíveis no Moda Livre, é possível saber quais foram os crimes cometidos, qual o nível da transparência na informação das condições de seus trabalhadores, qual a qualidade do monitoramento de sua rede de fornecedores, e se não há nenhum flagrante de mão de obra escrava em seu histórico.

O app Moda Livre está disponível para iOS e Android, de graça. Além de mostrar as políticas de conduta das empresas, mostra o histórico das empresas envolvidas em processos por trabalho escravo na indústria nacional. Você pode monitorar o comportamento das marcas cadastradas e decidir se vai consumir a partir das informações que cada uma delas forneceu.

Foto: Divulgação.

Além da classificação das marcas, o app oferece um panorama de cada empresa avaliada. Em relação à marca de roupas femininas Bo.Bô, por exemplo, o Moda Livre alerta: “em junho de 2013, fiscais do governo encontraram bolivianos em condições de escravidão costurando roupas para a Bo.Bô e para a Le Lis Blanc, outra marca do grupo Restoque. Nas lojas, elas valiam até 150 vezes mais do que o valor pago por peça para cada trabalhador”.

Muitas pessoas acham que estão sendo proibidas de consumir o que querem por causa do movimento slow fashion. Não é isso! É conscientizar e mostrar a origem e todos os processos que a roupa passou até chegar às lojas. Você compra o que quiser estando ciente! Essa é a diferença.

“O aplicativo entende que as empresas devem ter responsabilidade em toda a sua cadeia produtiva. Então, se ela contrata um fornecedor e terceiriza a produção de roupa, ela também é responsável por isso. Esse é o entendimento do Ministério Público, do Ministério do Trabalho e também da Repórter Brasil”, afirma Carlos Juliano Barros, que coordena o aplicativo “Moda Livre” em parceria com o jornalista André Campos. “Todas as propostas da oposição, que vão se concretizar em um governo Temer (aparentemente inevitável), vão na linha de derrubar proteções do trabalho. A tendência é que essa precarização seja, inclusive, institucionalizada. Essa farra das terceirizações vai ser só o começo da história”, acrescenta.

E você? Já adota práticas que deixam o ambiente da moda mais saudável? Não pense que as suas atitudes não fazem diferença no mundo. O pouco que fazemos pode causar uma grande revolução.

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